Quando se pensa em tsunami, a imagem que vem à mente é quase sempre de uma onda gigante engolindo uma cidade – mas nem sempre a onda é, assim, gigantesca. Existem muitos outros fatores que determinam seu surgimento e a força com que ela vira à terra.
Como se forma um tsunami?
Essas ondas gigantes são formadas por perturbações na água sempre em direção vertical. “Essa perturbação gera uma oscilação bastante intensa na água”, explica o professor Otaviano Augusto Marcondes, do instituto de física da Universidade de São Paulo. Ele exemplifica que isso pode ser causado até por uma queda de meteorito, mas o mais comum são terremotos ocorridos em baixo da água – os maremotos.
Ocorre que o movimento das placas tectônicas forma terremotos e maremotos, e essa movimentação é justamente no sentido vertical. “Em alto mar, a milhares de quilômetros da costa, o tsunami é uma onda baixinha e passa despercebida”, diz o especialista ao explicar a dificuldade de se conseguir detectar previamente a ocorrência.

Características que determinam impacto do Tsunami
Tamanho
Ondas gigantes como as que vemos em filmes podem ser um pouco exageradas quando comparadas com a realidade. Um tsunami pode ser gigante – o maior registrado tinha 524 metros e aconteceu no Alaska em 1958 – mas também pode ter só dois metros de altura.
Onda se mantém alta por muito tempo
“Ondas normais sobe poucos metros e, dois segundos depois, já sumiu. A do tsunami pode subir poucos metros também e ficar assim por meia hora seguida”, explica o professor. isso permite que ela penetre o continente e causa inundações.
Comprimento da onda
Segundo o professor, o que caracteriza um tsunami é, na realidade, o comprimento que a onda tem, que vai de 10 a 500 km: “O grande estrago é por ter o comprimento de onda muito grande, que pode ser de centenas de quilômetros de comprimento”. Nesse caso, a área de estrago será proporcionalmente maior.
Força
Assim como outras ondas, os tsunamis perdem energia perto da praia, mesmo assim, aforça com que eles chegam ao litoral é imensa. De acordo com informações do departamento de meteorologia do Governo da Austrália, os tsunamis têm grande poder de erosão: são capazes de “puxar” toda a areia de uma praia e arrancar suas árvores.
Há registros de um tsunami de 10 metros que atingiu Lisboa em 1755 e causou estragos até hoje relembrados pela capital portuguesa.
Já o tsunami que atingiu o Havaí em 1960 teve sua origem num terremoto na costa do Chile. O que impressionou, além da devastação do porto de Hilo, foi a velocidade da onda: 770 quilômetros por hora percorrendo o Oceano Pacífico.
Mas nem todo tsunami é devastador. A escala Sieberg-Ambrasays, por exemplo, dá conta de tsunamis “muito leves”, que só são percebidos por aparelhos específicos, fortes, que causam inundação e acúmulo de entulho, chegando ao desastroso, que causa inundação, arranca ou quebra árvores, destrói estruturas – algumas longe do litoral – e até danificam navios.
Estrago na ida e na volta
Sabe quando você está na praia e uma onda maior que as outras invade um pouco mais a areia, carregando consigo os brinquedos das crianças, seu chinelo, o isopor das bebidas, etc? Geralmente, a água retorna ao mar com um pouco mais de força de quando chegou a praia – e isso te faz sair correndo atrás dos objetos.
Marcondes explica que, numa escala maior, esse é o mesmo efeito dos tsunamis. “Como ela dura mais mais tempo, a onda entra continente adentro e depois recua ao mar trazendo tudo de volta. É uma imagem ampliada do que uma onde pequenininha faz na água. Tsunami causa estrago na ida e na volta”.

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